Sabíamos que estariam lá os três,
Mas, pronto, estava jogada a sorte. Não apenas sorte, pois os contactos, via internet, haviam de dar uma ajuda. Afinal, não éramos tão desconhecidos assim, o Skype vai tornando as distância menores.
Escarrapachado no pescoço do Pai, o nosso Neto destacava-se naquele mar de gente, tão habitual nas salas de espera dos grandes aeroportos. Vimo-lo, mal entrámos no corredor de saída. Agitação dos adultos, de ambos os lados. E ele a olhar-nos, a estudar-nos, a fixar-nos. Depois… foi o milagre que só o Amor pode fazer: abraços, beijos, pegar ao colo, exclamações de alegria, como se naquela sala não houvesse mais ninguém.
Foram perto de 40 kms até ao destino, a casa dos nossos filhos. A chegada deu-se sem sobressaltos, mais campos verdes, searas a perder de vista, no meio de outras culturas. Estes Alemães não brincam em serviço. Trabalham mesmo. Assim, ver aqueles terrenos tão férteis e tão bem tratados encheram a minha alma de nostalgia. Esta veia de camponês durará enquanto tiver entendimento.
Não conhecíamos esta casa, um salto em frente dos nossos Filhos, para a grande aventura de terem casa própria. Deu para perceber, logo nas primeiras horas,
O que pareceria ser uma semana normal, acabou por não acontecer. Cada dia passava mais depressa que o anterior, o envolvimento com o nosso Tomás era cada vez mais profundo e conhecê-lo, melhor, voltar a conhecê-lo foi uma experiência sempre maravilhosa, sempre renovada. Apesar de haver mais cinco Netos, cada um deles é diferente e tem espaço próprio no coração dos Avós. Nenhum substitui os outros.
Para além das refeições, a convivência era quase constante, com intervalos para dormir. Passear por estradas magníficas, visitar jardins tão bem tratados, rever as enormes searas de cevada, ajudar um pouco na reinstalação na nova moradia. E cantar ao Tomás, brincar com o Tomás, ouvir as gargalhadas do Tomás. Sempre meigo. Bem disposto. Amigo.
Os dias começaram a ficar cada vez mais curtos e a hora da despedida galopava ao nosso encontro.
Voltar ao aeroporto foi mais dever que prazer. A própria Criança sentiu isso, no abraço final, quando se “agarrou” aos Avós. Não sabemos porquê, mas ele “percebeu” que aquele adeus era diferente… Quem nunca teve de se despedir daqueles a quem quer Bem?
Todos gostamos de voltar a “nossa casa”.
A pequenina Leonor, que o Tomás ainda não conhece, estava a esperar os Avós. A sorte de ter muitos netos! Também ela não queria acreditar que os voltava a ver e passava-nos as mãozinhas pela cara para ter a certeza de que não era ilusão.
Um dia, o Tomás e a Leonor vão brincar juntos. Sob o nosso olhar! Terei de pôr-me de joelhos e exclamar:
- Obrigado, Senhor!