quinta-feira, março 19, 2009

A meu Pai, a todos os Pais...

Foi há muitos, muitos anos que conheci o meu Pai. Desde pequenino, senti o valor da sua presença: doce, alegre, trabalhador, honrado, homem bom, bom Pai. Enorme força moral a que sempre pude agarrar-me!
Os anos passaram num instante. Até aos 88 foi um "a ver se te avias". O tempo, é realmente o nosso maior inimigo. Até o Mal conseguimos vencer, só o tempo não. Em 2000, "foi chamado" e ficou-me esta enorme saudade. Mas também a alegria, a sorte, a felicidade de lhe ter chamado Pai. Obrigado, António Serrano, por ter sido meu Pai. Um grande, um enorme Pai. Sabe que nunca o esquecerei, até nos voltarmos a encontrar.
Procurando seguir o seu exemplo de honestidade e de saber, tentei continuar a sua obra nos seus netos. Acho que não o desiludi: quatro netos lindos, competentes, honrados, apreciados. Como um dia disse à minha Mãe e sua fiel companheira de 48 anos, a "dívida" de criar um filho não tem preço, pois é impossível pagar Amor. Transmito-o aos seus netos e agora também aos seus bisnetos.
Escolhi a imagem de S. José para ilustrar o modelo de Pai: confiante, amoroso, generoso, decidido, seguro. Um Homem! A ele eu peço que os pais de hoje, como o meu acreditou, sejam capazes de aceitar que, para desempenhar a quase mais difícil profissão do mundo - a mais complexa é ser Mãe - para a qual não há licenciatura, nem formação, nem mestrado, nem doutoramento, muito menos MBA's têm de "apostar" naquelas cinco vertentes: confiar que criar um filho é um desígnio de Deus; amar esse filho mais do que a própria vida; ser generoso a ponto de que nada lhe falta, especialmente afectividade e o pão de cada dia; ser decidido e firme para que o filho não sinta que o "seu" pai é gelatina nas suas mão, plasticina que molda a seu "prazer" - qualquer Criança detesta" um adulto "invertebrado" e "adorará" "fazer-lhe a vida negra"; seguro a ponto de o SIM ser SIM e o NÃO ser NÃO, palavras mágicas que, usadas com inteligência e discernimento, muito ajudarão na construção de pessoas de carácter, bem formadas, capazes de ser moderadas na fortuna e fortes na adversidade, compassivos com os que sofrem e valentes com os orgulhosos. Cidadão de primeira linha, cabeça levantada, frontal, respeitador, responsável, solidário, competente e sábio na Virtude e na Ciência!!! Uma jóia, o sonho de qualquer Pai!
Distraí-me e quase me esquecia de dizer:
- Amo-o, meu Pai, e não me esqueço de si!
- S. José, rogai por todos os Pais, especialmente os mais frágeis, "escravizados" dos caprichos de filhos, a quem ensinaram que tudo lhes é permitido.
Educar é mais do que instruir, é construir.
Depois desta "seca" aí vai, numa linda canção, a história que podia ser a minha. Que tive a sorte de conhecer e amar um Pai presente, que não me despachava com prendas mais ou menos caras, redutoras, frustrantes para que o "deixasse em paz..." Felizmente, ele não tinha dinheiro para as comprar, mas era senhor de muito Amor para me dar. E aos meus Irmãos!!!
Mais do que prendas, cada Filho precisa de atenção, firmeza, segurança, paz, família, razoabilidade... O "deixa andar" é o que qualquer Criança detesta, pois o desinteresse, mesmo embrulhado em "carradas de prendas", é grande inimigo da construção da felicidade infantil.
http://www.youtube.com/watch?v=TiQ1vDtZdAk&feature=related

2 comentários:

Maria disse...

Quando escreve, diz tudo. O que é que eu posso dizer?! Só que continuo a ler tudo o que escreve, que continuo a gostar, que com o rouxinol me levou a ouvir/sonhar com o cantar de Francisco Fanhais e outros tantos dessa época da "proibida", que me deliciou com o poema a Nossa Senhora. Com a sua escrita sobre a sua terra, vejo a minha, cada vez que lá vou venho mais triste, pelos funerais, pelas poucas pessoas que vão ficando, por ver um fim quase inevitável e que não me agrada, de todo e depois, os meus queridos pais que ainda lá estão e eu espero ardentemente que por muitos anos e com alguma saúde. Penso que está na altura de nos voltar a deliciar com um dos seus contos, de algo que nos faça sorrir, já que tento necessitamos.

António Serrano disse...

Palavras amigas e animadoras, muito gentis. Obrigado!!!