quarta-feira, agosto 11, 2010

Textos de sempre ... para sempre

O ESTATUÁRIO
Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão, e começa a formar um homem, - primeiro, membro a membro, e depois feição por feição, até à mais miúda; ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos; aqui desprega, ali arruga, acolá recama; e fica um homem perfeito, e talvez um santo que se pode pôr no altar.
Padre António Vieira, Sermão do Espírito Santo



3 comentários:

Luísa Antunes disse...

Olha que belo diálogo fazem os nossos blogues! Procurei várias vezes (e desisti) o sermão a que pertencia este texto que eu estudara, mais miúda. Aqui está a resposta (obrigada!). E quanto a esta versão mais antiga da "Índia", foi muito bom, porque de repente me recordei de a ouvir na infância...
Que venham "palavras, só palavras"... que a gente gosta. Abraço.

Maria Helena disse...

Gostoso ouvir Cascatinha e Inhana no seu blog. Estes países irmãos!!! Abraços e Paz!

Prohensa, j. adolfo disse...

Assino por baixo...
textos de sempre... para sempre! E, já agora, músicas de sempre... para sempre!