terça-feira, março 29, 2011

Abril

Meu país de Abril,
Minha terra amarga com sabor a mel,
Onde penhasco é fraga e também alcantil,
E o Cão da Serra, o amigo mais fiel.
Meu mês de Abril, de esperanças mil,
Que em seu ventre gerou a revolução,
Quando um soldado, só ao Povo servil,
Ergueu a voz e num brado disse: - Não.
Águias e falcões sonharam no vento,
As leves andorinhas nos seus beirais,
Um novo querer, um novo pensamento,
Sem servos nem amos só homens iguais.
Ontem era a fantasia, hoje o desencanto,
Um pesadelo se fez o que era quimera.
Já não sei se canto, se choro o teu pranto,
Pois um frio inverno engoliu a primavera.
Quando se esperava um fulgente verão,
Que trouxesse o pão ao faminto Povo,
Mudaram os ventos e um gelado nevão
Pôs a nobre gente a mendigar de novo.
Homem da Serra



3 comentários:

Anónimo disse...

Nada mais verdadeiro.
Lucília

disse...

Amigo Serrano,
Que verdades como punhos. E que tristeza é esta verdade. É pena, muita pena.
Grande abraço.
Caldeira

Luísa Antunes disse...

Gostei muito! Abracinho...